Vivenciado uma comunidade missional

6 minutos | Postado 1 ano atrás

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O lugar de encontro dos primeiros cristãos era a casa. O templo já havia sido destruído, o sacerdócio banido, os sacrifícios cessados. Agora só restavam as casas, o sacerdócio de todos os crentes e Jesus, o sacrifício perfeito3. Essa era a igreja primitiva.

“E partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração”. At 2:46

“Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus,… Saudai também a igreja que está em sua casa”. Rm 16:3-5

“Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa”. Cl 4:15

“E à nossa amada Afia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa”. Fm 1:2

Curiosamente, a igreja primitiva não conhecia nada a respeito do que hoje corresponderia a um edifício de igreja4. Mas o que a igreja fazia quando crescia a ponto de não mais caber em uma casa? Ela se multiplicava e se ajuntava em várias outras casas segundo o princípio “de casa em casa”5. Os cristãos do primeiro século se relacionavam uns com os outros e as casas eram primordiais para isso6:

1. A casa de Deus não é um edifício, mas a comunidade de crentes.

2. A casa é o ambiente natural para o exercício da mutualidade – aqui se pratica a Koinonia (vida compartilhada)

3. A casa reflete a natureza familiar da igreja – não é um ambiente impessoal onde olhamos as nucas dos outros, mas onde há intimidade e participação.

4. A casa reflete a autenticidade espiritual – nada de show, superprodução pessoal ou institucional, é apenas o conforto natural de uma casa, onde ninguém se sente ameaçado e inibido, mas se sente à vontade para ser quem é.

Insight: A igreja primitiva se encontrava nas casas de seus membros por razões funcionais – o contexto da casa viabiliza alguns elementos da vida espiritual. A comunhão face a face ocasiona respeito mútuo, responsabilidade mútua, submissão mútua e serviço mútuo.

Temos a distinta impressão, no Novo Testamento, de que os cristãos do primeiro século viviam a sua fé numa cultura de comunidade. Vários fatores no Novo Testamento apontam para este tipo de igreja7. Acompanhe os textos:

1. Culto participativo em vez de culto de expectadores: Ef 5:19; Cl 3:16; I Co 14:26;

2. Eles se reuniam também nas casas: I Co 16:19; Rm 16:5; Cl 4:15; At 5:42;

3. O ensino da palavra, muitas vezes, refletia um contexto de poucas pessoas: Mt 18:15-17;

4. As refeições eram partilhadas de casa em casa: At 2:46;

5. Os dons eram exercidos no contexto do grupo menor: I Co 14:26-33;

6. Colocar em prática o “uns aos outros” requer um contexto comunitário: Gal 6:2; Rm 15:7, 30; Ef 4:2, 32; 5:19, 21.

A metáfora que predomina no Novo Testamento para retratar a igreja é a da FAMÍLIA.

“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”. Gl 6:10

“Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus”. Ef 2:19

A maioria de nós não tem dificuldade em aceitar a ideia de que a igreja é uma família. Todavia, a encarnação prática dessa realidade e da vivência de seus desdobramentos não é tão fácil assim. Há seis aspectos do que significa para a igreja ser uma família8:

1. Os membros cuidam uns dos outros

2. Os membros passam tempo juntos

3. Os membros demonstram afeto uns pelos outros

4. A família cresce

5. Os membros compartilham responsabilidades

6. Os membros refletem em suas relações o Deus triúno

O primeiro passo para mudar depende de reconhecermos nossa condição, a nossa realidade hoje, e então sonhar com uma nova igreja, ou seja, ver uma outra realidade e por fim traçar um plano de ação para se chegar nesse sonho. Vamos por etapas, hoje queremos fazer um estudo de contrastes da igreja do Novo Testamento e da igreja em geral na atualidade.

Hoje queremos fazer um estudo de contrastes entre igreja do Novo Testamento e a igreja atual9.

 

O que mudou quando a igreja abandonou o pequeno ajuntamento

 

A administração mudou
De integrada para fragmentada
O estilo de liderança mudou
De baseada em dons para mais Profissional
O discipulado mudou
De apreendizado para treinamento
A mordomia mudou
De dádiva do coração para um dever
O culto mudou
De participação para observação
O uso dos dons mudou
De edificação para impressionismo
A comunhão mudou
De profunda para superficial
O crescimento mudou
De multiplicação para adição
Os edifícios mudaram
De funcionais para sagrados

 

Assunto

Novo Testamento

Igreja atual

Local
De casa em casa e no templo
Apenas no templo
Relacionamentos
Relacionamentos mais íntimos
Escassa intimidade, pouca transparência
Discipulado
Acompanhamento mais pessoal
Classes, cadernos, livros, ensino, pouco ensino por modelo
Dons espirituais
Usados por todos os crentes para edificar a igreja
Ignorados, desprezados ou limitados a ministros profissionais
Compromisso primário da liderança
Fazer discípulos, encorajar a comunhão cristã através de relacionamentos e serviço ativo
Preparar e dirigir programas
Teste da liderança
Caráter, coração para servir e frutos
Aquilo que você conhece
Vida de oração
Forte ênfase, intencional
Escolha individual, limitada a um grupo
Ênfase
Grupos reunidos nos lares / Sinagogas
Congregação
Sistema de Apoio
Grupos de crentes
O pastor
Frequência da comunhão
Diária, vida conjunta
Semanal, vida mais distante

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus – atua como diretor do movimento PN5.

União Sul Brasileira da IASD