Sal & Luz

7 minutos | Postado 3 anos atrás

Jesus falava sobre Sal e Luz em algum ponto perto do Mar da Galileia.

Menos de 160 km ao sul estava o rio Jordão, que corria para um outro mar, não tão longe dali. Este outro mar, de tão salgado é chamado de mar morto.

E do lado ocidental vivia ali uma comunidade monástica do Mar Morto, devotados a reproduzirem e guardarem manuscritos bíblicos. Eram conhecidos como Essenios, mas se auto intitulavam “Os filhos da luz”. Entretanto não tomavam providencia para que a Luz brilhasse pois viviam reclusos da sociedade, isolados.

Nestas metáforas, Sal e Luz, algumas conclusões estavam obviamente presentes na mente de Jesus, e eu gostaria que pudéssemos acompanhá-las hoje.

1. JESUS AFIRMAVA COM ISTO QUE O MUNDO NÃO POSSUIA FORCA PROPRIA PARA SE PRESERVAR. AFIRMA QUE A TENDENCIA DO MUNDO ERA DE AUTOFAGIA, AUTODESTRUICAO.

O mundo é evidentemente escuro, sem luz própria.
Ironicamente Paris, chamada a Cidade Das Luzes possui hoje um dos mais altos índices de desfacelamento da família e de suicídio entre adolescentes. Não Tem Luz Própria.

O mundo também possui uma rápida tendência para a decomposição. Ouvimos isto nas ruas quando todos a uma só voz afirmam que ‘ontem havia menos violência, menos corrupção, menos maldade’.
A estrutura mundial patrocinadora do pecado possui em seu DNA uma tendência para se decompor.

Por isto, em Mateus 5:8 Jesus, preparando a Sua Igreja para viver no mundo diz:
“Bem aventurados os limpos de coração porque verão a Deus”. “Limpo” aqui não se refere a resistência contra a carne, mas sim contra o mundo. “Katharoi” – Limpos – significa literalmente “sem mistura”, “sem resíduos”, e é usado para a água tirada da fonte cristalina.

Aqui temos um pressuposto importante.
A Igreja Jamais conseguira ser Sal da Terra e Luz do Mundo (Cumprir a Sua Missão)
– se estiver misturada;
– se passar a se parecer com o mundo;
– se passarmos a viver pelos valores do mundo e não do Reino.

C.S.Lewis nos diz que “não nascemos para a felicidade; nascemos para amar”
Em outras palavras, a Igreja não foi chamada essencialmente para ser feliz, mas para fazer Deus feliz.

Falando sobre a pregação do evangelho, Paulo afirmou que “sobre mim pesa esta obrigação”.
Ou seja, devemos fazer a vontade de Deus por alegria, por prazer, por privilegio.
Mas se estes um dia faltarem, devemos fazê-lo por Obrigação.

Somos chamados a obediência ao Senhor perante um mundo autofágico, com natural tendência para a decomposição.

2. JESUS TAMBÉM AFIRMA, DE MANEIRA CATEGORICA, QUE “NÓS”, A IGREJA, SOMOS O SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO.

Parece-nos obvio esta expressão porque já a ouvimos desde nossa infância.
Mas Jesus está aqui demarcando o campo de poder da Igreja.

Vejamos. Ele estava longe das cidades, dos templos, das sinagogas, das escolas, das estruturas de poder econômico, político e social. Portanto Ele estava deixando bem claro que nossas estruturas não são o Sal da terra e Luz do mundo; Nossas finanças não são o sal da terra e luz do mundo; Nossos templos, nossos métodos, estratégias litúrgicas, influencia na mídia, não são o Sal da Terra e Luz do mundo. Os homens, crentes, é que o são.

M. Bounds nos diz que: “Constantemente nos esforçamos por criar novos métodos, novos planos, para garantir eficiência na Igreja. Nos esquecemos que o homem é o método de Deus. A Igreja procura melhores métodos. Deus procura homens melhores.”
Mundo.

Há no mundo hoje 2227 povos não alcançados; ainda 4.000 povos sem uma igreja forte o suficiente para alcançar a própria etnia. No Norte da África e Oriente Médio, há bolsões com até 1 equipe missionária para cada 3 milhoes de habitante. Há mais de 3.000 linguas sem a Palavra de Deus traduzida em seus idiomas e 1 bilhao de pessoas que não sabe ler ou escrever. Não leriam a Palavra mesmo se a tivessem em suas mãos. Temos em nosso país 103 tribos indígenas sem presença missionária. E há guetos sociais bem perto de nós, a espera de alguém que se levante e seja ali Sal e Luz.

Charles Peace foi um assassino, condenado a morte em 1902 na Inglaterra. Seria enforcado. Ao caminhar para o cadafalso um pastor anglicano o acompanhava citando-lhe partes da Palavra de Deus. No meio do caminho Charles Peace parou e perguntou ao pastor:

– “O senhor crê no que está falando ?”
– “Sem duvida” – respondeu o ministro.
Ao que Charles Peace completou: “Não, o senhor não crê. Se eu cresse no que o senhor afirma crer, correria ou mesmo rastejaria por toda a Inglaterra e pelos campos, ainda que estivessem cheios de cacos de vidro, para falar a homens e mulheres a respeito da minha fé. Não o senhor não crê”.

Deus usa corações apaixonados por Jesus. Homens como você e eu.

3. JESUS, EM SEU SERMÃO, NOS AFIRMA QUE O SAL QUE PERDE O SABOR É IMPRESTAVEL; A LUZ ESCONDIDA É INUTIL.

Teologicamente nossa Identidade e Missão são aspectos inseparáveis da vida Cristã.
Empiricamente conseguimos divorciar a nossa Identidade crista do Serviço cristão.

Por isto Ghandi afirmou que “crê no nosso Cristo mas não no nosso Cristianismo”.
Por isto Stott afirmou que “o Cristianismo se parece com torres inacabadas”

Porque nos tornamos imprestáveis ou inúteis ? Há muitas respostas viáveis. Uma delas é nossa compreensão da Missão. Cremos que a Missão é realizada pela nossa força e capacidade humana tão somente. E sempre a atribuímos a aqueles pastores, missionários e obreiros treinados para o Serviço. Assim elitizamos a Missão. Mas na visão de Cristo a Obra do Senhor é realizada pela Graça de Deus e não pela capacidade humana.

Se somos sal da terra é tão somente pela Graça de Deus.
Se somos luz do mundo é tão somente pela Graça de Deus.

(*) Gideon Ousley foi um pregador pioneiro no Metodismo nascente.
Homem simples, trabalhava no campo descascando o milho e lançando a palha fora. Sem a retórica de seus antecessores ele se achava incapaz para ministério.

Gideon conta que em uma oração ouviu a voz de Deus que lhe dizia:

– “ Pregue o Evangelho” 
ao que ele respondia: “Não sou capaz” !

O Senhor continuou:
– “Gideon, você conhece a enfermidade ?” (sim Senhor)
– “Gideon, você conhece o remédio ?”{ (sim Senhor)
– “Então vá e fale da enfermidade e do remédio. O resto é palha” !

Autor: Ronaldo Lidório

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus - atua como diretor do movimento PN5.
União Sul Brasileira da IASD