Reconciliando Teologia e Missiologia

5 minutos | Postado 1 ano atrás

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Missiologia e Teologia não devem ser tratadas como áreas separadas de estudo, mas sim como disciplinas complementares. A Teologia não apenas coopera com a Igreja ao fazê-la entender o sentido da Missão e a base para o plantio de igrejas como também provê o entendimento bíblico motivacional para o Evangelismo. A Missiologia, por outro lado, dirige teólogos para o plano redentivo de Deus e os ajuda a ler as Escrituras sob o pressuposto de que há um propósito para a existência da Igreja. Isto os capacita a desenvolver um ensino bíblico que vá além das paredes do templo e salas de aula já que a Igreja “deve ser enraizada tanto na Pessoa quanto na Missão de Deus” .

Hesselgrave, confirmando a infeliz ausência de fundamento teológico em estudos de plantio de igreja expõe que “o compromisso evangélico com a autoridade das Escrituras é vazio de significado se não permitimos que os ensinos bíblicos moldem a nossa missiologia” .

Van Engen enfatiza que Teologia de missões necessita ser um campo multidisciplinar que lê as Escrituras com olhos missiológicos e “se fundamenta nesta leitura, continuamente reexaminada, reavaliando e redirecionando o envolvimento da Igreja na Missio Dei, no mundo de Deus”.

Paul Hiebert afirma que muito comumente nós escolhemos alguns poucos temas bíblicos, e destes nós construímos uma Teologia simplista ao invés de olharmos para os profundos motivos que jorram de toda a Escritura, expondo assim que um trabalho missionário sem um sólido fundamento teológico se divorcia da mente de Deus. Não podemos ceder aos atalhos teológicos na proclamação do Evangelho.

Por outro lado não raramente a Missiologia é varrida para fora dos centros acadêmicos e de preparo teológico em diversas partes do mundo, ou mesmo tratada como de menor valor. Este terrível engano freqüentemente produz pastores sem sonhos, missionários despreparados e teólogos cujo conhecimento poderia ser grandemente usado para as necessidades diárias de uma Igreja que está com as mãos no arado, mas por vezes não sabe para onde seguir.

Teólogos reformadores da Igreja como Lutero, Calvino e Zwinglio teologizavam em sintonia com as gritantes necessidades diárias de uma Igreja que crescia e precisava de direção bíblica. Zwínglio chegou a afirmar que a Genebra de Calvino era “a mais perfeita escola de Cristo que jamais houve na terra desde a época dos apóstolos” . João Calvino afirmou que “… onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza… não há dúvida de que existe ali uma Igreja de Deus” . Lutero, ao traduzir a Bíblia para a língua do povo perseguia a missão de levar o culto a todos os homens. O conhecimento teológico estava a serviço de Deus e a disposição da Igreja, não paralela a ela.

Nós enfrentamos quatro perigos quando a Teologia e Missiologia não são percebidas como parceiras:

► Usar Deus como um instrumento para realizar nossos propósitos no plantio e crescimento de igrejas em lugar de servi-Lo no cumprimento de Seus planos na terra (1 Co 3:11);
► Oferecer soluções simplistas para problemas complexos em relação à comunicação do evangelho, contextualização e plantio de igrejas;
► Ver crescer em nosso meio movimentos missionários sem fundamentação bíblica ou direcionamento teológico;
► Gerar conhecimento teológico sem uso para a Igreja que vive, luta e sofre.

Quando Martin Kahler afirmou que a missiologia é a mãe da teologia ele tentava expor que a Teologia foi desenvolvida enquanto a mensagem de Cristo era anunciada, ou seja, foi formada enquanto plantadores de igrejas refletiam e trabalhavam na implementação do desejo de Deus em diferentes lugares e culturas (1 Co. 3:6). Por outro lado plantar igrejas não é uma ação autojustificada, mas sim um instrumento usado por Deus para realizar seu alvo cósmico final (Heb. 1:1-4).

De acordo com David Bosch, Teologia nos primórdios do Novo Testamento era praticada no contexto da Missão e em resposta a questões missiológicas enquanto plantadores de igrejas espalhavam o evangelho e alimentavam a Igreja existente. O apóstolo Paulo é um exemplo clássico deste modelo sendo, ao mesmo tempo, “o mais impressionante teólogo do Cristianismo bem como seu maior missionário” , como bem colocou o Dr. Augustus Nicodemus.

Quando analisamos os ensinos de Paulo entendemos que seu ministério estava fundamentado em suas convicções teológicas inspirando-nos a refletir sobre Deus e sua ação no mundo (Rm 15). Missiologia e Teologia, indisputavelmente, caminhavam de mãos dadas.

Autor: FTSA

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus - atua como diretor do movimento PN5.
União Sul Brasileira da IASD