Pornografia eclesiástica

3 minutos | Postado 1 ano atrás

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Seremos pastores, mas não em Nínive, faça o favor! Vamos experimentar Társis. Em Társis, podemos ter uma carreira religiosa sem termos de lidar com Deus.

A maior decepção ao ler o livro de Jonas é vê-lo comprar a passagem para Társis nas primeiras páginas de sua história  – “Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe do SENHOR” (Jonas 1:3).  Bem que eu gostaria que esta fosse apenas uma realidade distante de um profeta turrão, na verdade, ela é um retrato de muitos que divisaram um ministério que não existe, onde tudo dá certo e a percepção humana tomou o lugar da vontade de Deus.  Normalmente, essa fuga é realizada ou por encantamento artificial da Igreja ou por seu repúdio. Esse encantamento artificial da Igreja é pornografia eclesiástica – tirando fotos ou pintando quadros de congregações que não tem mancha ou mácula, algo que só existe em umas poucas Igrejas por alguns curtos anos. Estes quadros exibidos de maneira provocante não possuem relacionamentos pessoais. Os quadros atiçam a cobiça por domínio, gratificação e por uma espiritualidade impessoal e sem envolvimento. O pior que ainda estou vulnerável a sedução de Társis. O apóstolo Paulo falou sobre a loucura da pregação; eu gostaria de mencionar a loucura da congregação.  O comprometimento no empreendimento da Igreja é absurdo, demandam tempo, fé, paciência, estudo, trabalho duro e oração. Diante de um conjunto aleatório de pessoas que de alguma forma se ajuntam nos bancos, quase sempre nada confortáveis, a cada sábado para cantar sem entusiasmo algumas músicas das quais nem gostam tanto, atentam ou não para os sermões de acordo com seu estado de digestão e os decibéis do pregador, além de serem desajeitadas em seus compromissos e atabalhoadas em suas orações.  Para não ser suduzido, tive que revisar em minha imaginação: estas eram as pessoas em geral das quais eu era pastor. Não eram as pessoas que eu teria escolhido, mas eram as pessoas que me haviam sido entregues.  O que eu poderia fazer? “Mestre, alguém semeou o joio durante a noite”. Eu queria arrancar as ervas daninhas daquele campo. Porque eu tenho sempre a impressão que se fosse do meu jeito as coisas sempre seriam mais ágeis. A resposta do mestre foi apontada diretamente  pra mim: “Deixe-as para a colheita. Deixe que cresçam juntas”.  Este certamente era um sábio conselho, pois tenho lá minhas dúvidas que o meu olho destreinado, meu discernimento falho e minha impulsividade em fazer o certo não conseguiria fazer a diferença entre a erva daninha e a planta boa que cresciam juntas. Ainda agora, depois de todos esses anos, na maioria da vezes não consigo ver a diferença.  Aos poucos abandonei minhas ilusões de Társis e me ajustei à realidade de Nínive.

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus - atua como diretor do movimento PN5.
União Sul Brasileira da IASD