O discipulado CRM e a visão Cada um Salvando um

7 minutos | Postado 2 anos atrás

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Quando Jesus veio ao mundo Ele ampliou a dimensão de muitas coisas que eram a base da religião de sua época. O templo, o sacerdócio e o sacrifício são exemplos disso. Se pararmos para observar, praticamente todo o sistema estava fundamentado nestas três estruturas. Ainda hoje muitos mantêm de maneira contextualizada tais alicerces. Mas Jesus expandiu a visão da comunidade para além de um lugar específico de adoração e o trouxe para o seio da sociedade: a casa, a família. Ele ampliou o sacerdócio restrito a uma tribo, a um clero religioso para o sacerdócio de todos os crentes. E, por fim, Ele substituiu o sacrifício de animais pelo sacrifício perfeito de Si mesmo na cruz. A partir deste novo paradigma, a casa, as pessoas e o sacrifício de Jesus mostraram uma nova forma de aplicação da fé. O evangelho transcendeu as paredes da igreja, para chegar à intimidade das pessoas; o pastoreio se tornou mais próximo, eficaz; e o sacrifício mais real.

Neste processo, o discipulado em comunidade tem um importante peso de influência e o termo chave para fortalecer esta mudança é a palavra relacionamento. Sob esta base Jesus incorpora um novo estilo de liderança, capaz de subverter qualquer força. Este modo de vida caracteriza a maneira como nos relacionamos com Deus, com os outros e com o mundo. Jesus sabia disso, por isso nos evangelhos Ele sai da periferia em direção às cidades. Sua migração tem como objetivo a comunidade em transformação por meio de relacionamentos autênticos de discipulado. Ele derruba as barreiras da tradição exclusivista mantendo um comportamento contracultural de valorização das pessoas. Ele alcança as massas e as conduz ao reino sob a estratégia simples de compartilhar as experiências do dia a dia. Isso fez a diferença no tempo de Jesus e faz para nós hoje. O mundo moderno tem aparentemente tudo, menos relacionamentos autênticos. As pessoas estão clamando por companheirismo, serviço voluntário, amor gratuito, aproximação natural e fé pura. O que cativa é o simples – compartilhar experiências comuns juntos.

Pesquisas apontam que o número de pessoas que apostatam da fé está cada vez mais alto, chegando a índices alarmantes a cada ano. Se metade das pessoas que ganhamos para Cristo abandonam a igreja, há algo errado com a maneira como temos aplicado o termo discipulado em comunidade. Essas mesmas pesquisas mostram que o fator de maior peso para a apostasia é o relacionamento. Infelizmente, corremos o risco de ver a grande comissão sendo transformada numa grande omissão, com milhões de pseudocristãos, limitados a sua religião de fim de semana, como se a frequência a igreja, por duas ou três horas semanais, esgotasse o compromisso de discipulado. Não estamos imunes a tal patologia. Precisamos reimaginar a igreja sob a perspectiva de Jesus. Não podemos correr o risco de dogmatizar a forma, mas também não devemos pragmatizar os princípios, dos quais o relacionamento é o principal. Deus nos convida a um relacionamento com Ele, com os outros e com o mundo. Isso é sistematizado pela igreja através do processo de discipulado que a sustenta. COMUNHÃO com Deus; RELACIONAMENTO com os outros; MISSÃO com o mundo.

Seguindo esta dinâmica, este guia se propõe a ser uma ferramenta útil no plano de discipulado de sua igreja. O ponto de partida do Espírito Santo para implementar esse processo começa com você. Portanto, a maneira como você irá se comportar nesta caminhada vai determinar o alcance de Deus nas pessoas que Ele vai lhe dar para serem pastoreadas.

Temos uma visão simples para esse programa de discipulado de líderes:

Comunhão com Deus, relacionamento com os outros, missão aos perdidos.

Nossa missão é ajudar o perdido a ser salvo, o membro a se tornar discípulo e o líder formal em um ministro.

DOIS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

“Dois princípios fundamentais devem nortear a forma de “sermos igreja”: o evangelho e a comunidade. Somos chamados a uma dupla fidelidade: à fidelidade ao conteúdo central do evangelho e à fidelidade ao contexto primário de uma comunidade crente. Quer estejamos pensando em evangelismo, envolvimento social, trabalho pastoral, defesa da fé, discipulado ou ensino, o conteúdo é consistentemente o evangelho cristão e o contexto é consistentemente a comunidade cristã. O que fazemos é sempre definido pelo evangelho e o contexto é sempre sermos parte da igreja. Nossa identidade como cristão é definida pelo evangelho e pela comunidade.

Ser missional (centrado no evangelho) envolve duas coisas: Primeiro, significa ser centrado na palavra, pois o evangelho é uma palavra – o evangelho é uma notícia, uma mensagem. Segundo, significa ser centrado nas missões, pois o evangelho é uma palavra a ser proclamada – o evangelho são as boas novas, uma mensagem missionária.

Talvez tenhamos três princípios! A prática cristã deve ser 1) centrada no evangelho no sentido de ser centrada na palavra; 2) centrada no evangelho, no sentido de centrada nas missões; e 3) centrada na comunidade”. [1]

“Nesse sentido, a teologia que importa não é a que professamos apenas, mas a que praticamos. Como John Stott diz: “Nossas estruturas estáticas, inflexíveis e centralizadas são “estruturas heréticas” pois elas incorporam uma doutrina herética na igreja” Se a “nossa estrutura se tornou um fim nela mesma, não um meio de salvar o mundo”, é uma estrutura herética”. [2]

“Ser centrada no evangelho e, ao mesmo tempo, na comunidade poderia significar:

  1. Ver a igreja como uma identidade e não uma responsabilidade com a qual devemos lidar em meio aos outros compromissos
  2. Celebrar a vida comum como o contexto no qual a Palavra de Deus é proclamada, sendo “falar sobre Deus”, uma característica normal das conversas diárias.
  3. Realizar menos eventos, programas e passar mais tempo compartilhando nossa vida com não-cristãos
  4. Iniciar novas congregações em vez de fazer crescer as existentes
  5. Preparar conversas sobre a Bíblia com outras pessoas, em vez de estudar sozinho na sua mesa
  6. adotar uma abordagem contínua de missão e atendimento pastoral, em vez de iniciar programas ministeriais
  7. Transferir a ênfase no ensino bíblico para o aprendizado e os atos bíblicos
  8. Passar mais tempo com pessoas excluídas da sociedade
  9. Aprender a edificar uns aos outros – e ser edificado – dia após dia
  10. Ter igrejas problemáticas em vez de igrejas dissimuladas.
  11. A igreja não é uma reunião que frequentamos ou um local no qual entramos. É uma identidade que é nossa em Cristo”. [3]

Referência:

1. Steve Timmis e Tim Chester. Igreja total, repensando radicalmente nossa apresentação do evangelho na comunidade. Niterói, RJ: Editora templo de colheita, 2011. pg 17-20.

2. John Stott. Sinais de uma igreja viva. São Paulo, SP: ABU, 2005.

3. Timmis e Chester,19-20.

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus - atua como diretor do movimento PN5.
União Sul Brasileira da IASD