Discipulado missional

9 minutos | Postado 1 ano atrás

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“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” I Timóteo 2:2

Nos Estados Unidos, 99% dos cristão jamais acompanham um novo converso afirmou Waylon Moore (1990, pg. 13), essa é uma dura realidade se aplica também em nosso território nacional. Lutamos tanto para estudar a bíblia com um interessado, nos esforçamos para que ele conheça a igreja e depois de tudo isso persuadimos a tomarem uma decisão de seguir a Jesus e logo se batizarem. Quando tudo isso é realizado e conseguimos o nosso objetivo, vêm a tristeza. Deixamos de lado este novo filho na fé. Essa é uma da maiores debilidade de nossas igrejas, manter o novo converso ativo e motivando-o. O escritor Shaw (2005, p. 157) afirma que “talvez a maior fraqueza da Igreja Cristã contemporânea seja a de que milhões de supostos membros não estão realmente envolvidos, e, o que é pior, não acham estranho esse fato.”

Um dos motivos talvez seja o esfriamento e apatia do membros. O processo de agregar o novo converso na igreja é árduo. Falando sobre o verdadeiro custo do discipulado Dietrich Bonhoeffer (2011, p.4) declarou que:

quando as Escrituras Sagradas falam do discipulado de Jesus, proclamam a libertação do homem de todos os preceitos, de tudo quanto oprime, sobrecarrega, provoca preocupações e tormentos à consciência. No discipulado, o ser humano sai de sob o jugo de suas próprias leis e submete-se ao jugo suave de Jesus Cristo

A palavra discípulo está muito ligado com a ideia de ensinar e aprender. Esta palavra vem do original grego Mathetés, que refere-se a “um aprendiz ou aluno ligado a um mestre ou movimento; sua dedicação está na instrução e seu compromisso é com o mestre ou movimento” de acordo com o dicionário bíblico Harper (1989, p222). Já o autor John A. Davis (1978, p.186) define como um discípulo,

um aluno ou estudioso (Mateus 10:24), especialmente o seguidor de um professor público, como João Batista (Mt 9:14). Uma pessoa ensinada por Deus (Isaías 08:16). É utilizado de todos que idade já que na fé receberam instruções do Mestre divino

Os discípulos são aqueles que são fiéis seguidores do aprendizagem de Jesus Cristo. De acordo com Vine, Unger e White (1985, p. 171) “o discípulo não era apenas um aluno, mas um adepto; Portanto, eles são chamados de imitadores de seu professor” Então, um discípulo imita seu mestre para, finalmente, ser como o seu mestre (Mateus 10: 25). Jesus aplicou este mesmo princípio a Seus discípulos e os convidou a segui-Lo (Mc 2:14).

O autor Gary W. Kuhne (1978, p. 21), define discípulo como “um crente que está crescendo em conformidade com Cristo, está dando frutos no evangelismo, e fazendo o trabalho de aconselhamento para conservação dos frutos”. Isto de fato é que deveria acontecer ao novo converso. Após o processo de aceitação da verdade bíblica a maturação deve ser acompanhada de um processo de crescimento. Dietrich Bonhoeffer, na introdução de seu livro Discipulado afirma que:

Quando as Escrituras Sagradas falam do discipulado de Jesus, proclamam a libertação do homem de todos os preceitos, de tudo quanto oprime, sobrecarrega, provoca preocupações e tormentos à consciência. No discipulado, o ser humano sai de sob o jugo de suas próprias leis e submete-se ao jugo suave de Jesus Cristo

Para o autor Doug Fields (2002 p.142) ao falar sobre a necessidade de uma relação profunda declara que os “cristãos sem relacionamentos monitorados estão dando chance para os problemas surgirem”. Há uma grande necessidade de focar nos relacionamentos. A Divisão Sul Americana da Igreja Adventista está lançando para 2013 a base no Relacionamento, Comunhão e Missão. Vale ressaltar a importância deste aspecto no crescimento sadio da igreja.

Não basta apenas o cognitivo, é fundamental o relacionar-se, ou seja, não existe conhecimento dissociado de relacionamento. Para isto Ricardo Barbosa (SOUZA: 2005, p. 25) fez uma ótima colocação ao afirmar que: “Não se pode conhecer a Deus simplesmente com boas informações sobre ele. O conhecimento de Deus e a comunicação deste conhecimento requerem um relacionamento pessoal com ele e com aqueles a quem esta verdade é comunicada. Amar é conhecer”.

Discipulado não é apenas ministrar estudos ou corrigir lições respondidas pelo discipulando. Discipulado é companheirismo, acompanhamento, amizade e apoio. O principal ensino a um discípulo é pelo exemplo. O discipulado é o padrão contra o qual a igreja vai ser julgado. O último grande mandamento de Cristo foi “Vá, e faça discípulos de todos os grupos étnicos…ensinando-os a fazer tudo o que eu ordenei (ou seja, fazer discípulos)”. Então, por que gastar nosso tempo e recurso fazendo outras coisas, coisas que o tempo e a história provaram não atingir esse objetivo? O exercício do discipulado exige um alto preço. Para isto Karl Barth (BARTH, 2004 p.537) fez a seguinte declaração que: “Não existe discipulado se aquele que chama ao discipulado. Não há discípulo sem a fé em Deus como Àquele que chama e liberta para o discipulado. Não há discipulado que não consista no ato de obediência desta fé em Deus e logo nele”.

Para a maior parte, as igrejas de hoje tornaram-se uma espécie de supermercado espiritual que fazem consumidores. Nós oferecemos seminários e programas de autoajuda,. A equipe e os comissões de encherem suas mentes para pensar em mais oportunidades para os membros em serem envolvidos e mantê-los felizes com a igreja. O membro continua a ser envolvido, desde que a Igreja serve-se de uma oferta de programas que “satisfazem suas necessidades”. Se outra congregação tem uma melhor oferta, talvez um grupo de jovens mais ativo, um boa música, etc., o “membro consumidor” muda de igreja. “Evangelizar é nada mais do que uma responsabilidade inalienável de toda a comunidade cristã e de cada cristão” (PACKER, 2002, p. 23).

Concluindo, “a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos” declarou Dietrich Bonhoeffer (2011, p. 22). O “discipulado Cristão é um relacionamento de mestre e aluno, baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem a outros” afirma categoricamente o autor Keith Philips (2005 p.16).

Ellen White (WHITE, 2004 p. 103) coloca da seguinte maneira

A graça de Cristo na alma é como uma fonte no deserto, vertendo para refrigerar a todos, e fazendo com que os prestes a perecer tenham sede da agua da vida. Fazendo esta obra, é recebida uma maior bênção do que se trabalhamos unicamente para nos beneficiar a nós mesmos. É trabalhando para disseminar as boas novas de salvação que somos levados perto do Salvador

O comportamento do discipulado missional foi colocado de uma forma categórica por Walter T. Conner (1981, p 285 ) assim expressa:

A missão do Cristão… é por outras pessoas em relação de salvação com Cristo e desenvolver nelas a vida de Cristo. Cada cristão devia ser um evangelista, um mensageiro das boas novas. Nesse sentido todo cristão devia ser um pregador. Esse é um impulso espontâneo da vida nova em nós – levar qualquer outra pessoa a conhecer Cristo e gozar a grande bênção que ele dá. Nossa missão é dar testemunho de Cristo desde Jerusalém até os confins da terra…

O discipulado missional pode ser visto da forma de como Cristo inspirou seus discípulos para serem sal no mundo, Dallas Willard (2006, p.166) declarou que “nós progressivamente aprendemos a conduzir nossas vidas, como Jesus faria se Ele fosse nós.” Uma grande responsabilidade repousa sobre nossas mãos. A pergunta é clara: O que Jesus faria? Quais seriam os métodos utilizados por Ele para alcançar o pecador? Cabe a cada um nós avaliarmos nosso serviços e esforço para servir, amar e salvar o ser humano. Termino este ensaio com o forte apelo da autora inspirada Ellen White (2004 p. 102) que diz:

Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como um missionário. Assim que vem a conhecer o Salvador, deseja pôr os outros em contato com Ele. A santificadora verdade não pode ficar encerrada em seu coração. Aquele que bebe da água viva torna-se uma fonte de vida

Por Everaldo Carlos – Pr. na ACSR

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus – atua como diretor do movimento PN5.

União Sul Brasileira da IASD