A revitalização da liderança

6 minutos | Postado 4 anos atrás

 

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Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: “Onde está a liderança?”. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja, o que é deveras significativo. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes, que por sua vez capacitem e formem outros líderes.
O pastor é fundamental para a formação de uma liderança eficaz e capacitadora. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudará líderes neste empreendimento. Uma das funções da liderança é equipar os santos. Investir na formação de uma bons líderes é garantir o sucesso da igreja local. Para isso, a liderança deve ser constantemente revitalizada, receber novas orientações, a fim de contribuir na formação de novos líderes.

O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. Um líder que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. O que não falta são pessoas que querem trabalhar, mas não sabem como fazer. Pastor, ensine sua igreja a fazer. Confie no potencial de seu rebanho. Os resultados serão simplesmente surpreendentes!

Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. Líderes capacitadores formam colaboradores, e não meros “ajudantes” ou “marionetes” com o intuito de alcançar seus próprios interesses. Pelo contrário, a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Eles capacitam, apóiam, motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente; a saber, a varonilidade do Corpo de Cristo.

 

“Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual, descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento”

Chistian A. Schwarz, O desenvolvimento natural da igreja, p. 23

Em vez de fazer a maior parte do trabalho, esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente.

 

Como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos?

1. Quando uma liderança está “viciada” é preciso ser trocada.

Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. É perda de tempo. Tem que ser trocada. Aos poucos, mas precisa ser trocada. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. Mudança também é revitalização. Existe muita gente boa no ministério errado.

2. Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder.

“o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo”.

 

Como preparar uma liderança revitalizada, sem que haja frustrações no futuro?

1. Os ministérios devem ser orientados pelos dons

Acredito que muitos dos problemas de uma igreja, sejam de ordem espiritual, administrativa, seriam resolvidos com mais facilidade, ou até mesmo não existiriam, se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais.

Orlando Costas (Compromiso y misión, p. 62) acertou quando disse que “o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros”. E esta “mobilização”, a meu ver, só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo.

Schwarz faz uma declaração alarmante: “De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas, no ambiente de fala alemã, na Europa, descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais”. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano, e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente.

Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja, como veremos adiante, é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons.

Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. Knight. Campinas: Luz Para o Caminho, 1994 e O teste dos dons/Christian A. Schwarz. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1997.

2º) Formar discípulos para serem discipuladores

O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos, que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. Isto sim é bíblico, pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. Para isso preparou seus discípulos.

A ênfase da Grande Comissão foi: “fazei discípulos”.

Infelizmente, o que temos visto na prática, em termos de discipulado, é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes.

Quem deve dar o ponta pé inicial do discipulado? Os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado, por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir, orientar e superintender as atividades da igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus.

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus - atua como diretor do movimento PN5.
União Sul Brasileira da IASD