A Metanóia C1S1

5 minutos | Postado 1 ano atrás

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A igreja Adventista na USB está vivendo um momento importante na sua história. Há um processo de desmistificação do jeito de fazer e ser igreja, mostrando quão humana ela é e quão relevante são suas realizações. Esse novo, ou melhor, velho olhar, afeta a nossa maneira de ser igreja, administrativa e pastoralmente.
O perfil de uma igreja autorreferencial, como uma cristandade eclesiocentrica, ufanista muitas vezes, com líderes que se orgulham com seus sucessos marginais, dá lugar a uma igreja focada nas pessoas, uma igreja iminentemente profética e decentralizadora. Uma igreja que evita repetição artificiosa e o voluntarismo sem fundamento. Jesus e as primeiras comunidades são as nossas raízes, mas não se trata de querer copiá-los, o equilíbrio está em fazer hoje em nosso mundo o que eles fizeram então no seu.
A visão USB não diz a sua igreja como eles devem viver, mas do quê eles podem viver: com Comunhão diária, Relacionamento relevante na comunidade, interna e externa, com Missão aos perdidos; isso de maneira autóctone, sem lamentações, imobilismo, pessimismo ou medo.
Essa nova perspectiva nos leva a exposição e a reflexão do jeito de ser igreja, dos principais  responsáveis pelo estancamento do reavivamento e da reforma, do gradativo processo de invocação eclesial nos últimos anos.
A metanóia (mudança de pensamento) que a USB sonha tem caráter existencial e prático, teológico e missional:

De uma igreja autorreferencial para uma igreja da comunidade:

A posição do discípulo no NT não é uma posição de centro, mas das periferias, da comunidade. A igreja não pode ser distante do seu contexto, não podemos nos enclausurar nos procedimentos organizacionais, sem proximidade, sem ternura, nem carinho. Precisamos de uma igreja relevante no seu contexto, essencialmente missional, uma igreja centrada no evangelho, que não tenha medo de entrar na noite deles, uma igreja capaz de inserir-se na sua conversa. Por outro lado, precisamos de uma igreja que saiba dialogar com aqueles discípulos, que, fugindo de Jerusalém, vagam sem meta, sozinhos, com o seu próprio desencanto, com a desilusão de um cristianismo considerado hoje um terreno estéril, infecundo, incapaz de gerar sentido. Em outras palavras, precisamos de uma igreja mais próxima da realidade da cidade, e não me refiro apenas as instancias administrativas, mas as igrejas locais que se transformaram em guetos confinados na sua própria teologia do encontro.

De uma igreja alfândega a uma igreja samaritana:

Sempre ouvi que a igreja é mãe, mas agora precisamos de uma igreja-mestra, que só se legitima quando respaldada pelo testemunho. A vocação e a missão da igreja começam pelo exercício da maternidade da igreja, que se dá pelo exercício da misericórdia na comunidade. Isso implica em descentrar-se de si mesma, o que não significa, necessariamente, sair de seu espaço e apressar-se em direção aos outros. Sair de si mesma significa, antes de tudo, “uma igreja com portas abertas”. Isso acena para uma prática pastoral que implica uma esmerada formação humana.

De uma igreja fechada na sala pastoral e de reuniões a uma igreja acidentada por sair às ruas:

Uma igreja que não sai de si mesma adoece, cedo ou tarde, em meio à atmosfera pesada do seu próprio fechamento. É verdade, também, que uma igreja que sai às ruas pode sofrer o que qualquer pessoa na rua pode sofrer: um acidente. Diante dessa alternativa, prefiro mil vezes uma igreja acidentada a uma igreja doente. A doença típica da igreja fechada é ser autorreferencial, olhar para si mesma, ficar encurvada sobre si mesma, uma espécie de narcisismo que nos leva à mundanidade espiritual e ao clericanismo sofisticado, e, depois, nos impede de experimentar a doce alegria de evangelizar. Acreditar que a estrutura em que estamos é por si mesma auto-existente, é desconsiderar o seu papel profético-escatológico, plenamente dependente do Espírito Santo para ações evangelizadoras concretas, resultados reais e prática eclesial local consistente. Ao sair as ruas, é preciso ficar atentos para não cair na “tentação de domesticar as fronteiras: deve ir em direção às fronteiras, e não trazer as fronteiras para casa, afim de envernizá-las um pouco e domesticá-las”. É o respeito à alteridade, a acolhida dos diferentes, estar disposto a deixar-se surpreender e aprender com as diferenças, dado que na evangelização não temos destinatários, mas interlocutores. Em lugar de uma missão entendida como a busca de convertidos submissos e ignorantes, um processo de evangelização pautado pelo testemunho e o diálogo é condição para o anúncio do kerigma.
O perfil pastoral da visão C1S1 é decentralizado, anticlerical, destituído de prestígio e poder, aponta sim, para uma igreja de pastores com cheiro de ovelha, para uma igreja toda ela ministerial, autóctone, profética, samaritana.
Está ai o desafio de re-imaginar a igreja, na verdade, de re-imaginar a você mesmo!

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus – atua como diretor do movimento PN5.

União Sul Brasileira da IASD