A igreja como um ambiente funcional

5 minutos | Postado 2 anos atrás

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O problema fundamental da arquitetura eclesial contemporânea foi admiravelmente exposto por Marvin Halverson, teólogo americano da Igreja Congregacional, numa obra recente, “Sobre a necessidade de uma boa arquitetura para a Igreja”. Diz ele, que…

Uma construção eclesial que é efetivamente projetada nos termos da função da Igreja, terá uma forma apropriada e, por conseguinte, assumirá a natureza simbólica, que diga ao mundo alguma coisa sobre o que a Igreja crê. Mas antes que se alcance isso, a Igreja deve ter uma compreensão clara de sua função, sua vocação, no mundo de hoje e de amanhã. A arquitetura não pode ver sua obra realizada até que haja a recuperação do significado da Igreja por parte da Igreja. Uma das dificuldades da arquitetura eclesiástica no passado foi que a forma arquitetônica seguiu muito de perto uma função inadequadamente concebida. Naturalmente um arquiteto pode projetar uma construção para uma Igreja carente a fim de abrigar suas diversas atividades. Embora o arquiteto deva ter dados sobre as exigências da educação religiosa e a necessidade de espaços para os vários grupos na Igreja, a tarefa dele exige mais do que isso. Fundamentalmente, ele deve conhecer a razão de ser da Igreja. Esta compreensão do propósito da Igreja deve ser descoberta pelo ministro e congregação. O arquiteto não pode ser teólogo para a Igreja assim como o ministro e congregação não podem ser arquitetos. 

 

É preciso reimaginar a igreja como um centro de salvação, serviço a comunidade e adoração coletiva. A igreja de hoje corre o risco de ficar irrelevante na comunidade porque seu serviço é quase nulo. Nossos prédios, como o que acontece na Europa corre o risco de não se pagar, pela sua pouca utilização. A igreja pode ser mais, pode cumprir o seu propósito começando por suas estruturas. Você já imaginou a sua igreja como:

• Centro de línguas

• Uma escola profissionalizante para a comunidade

• Centro de educação alimentar

• Centro de AA (alcoólicos Anônimos)

• Centro de vida saudável

• Um TED – Com palestras para os diversos segmentos da comunidade

• Centro de atendimento jurídico para a comunidade

• Centro de atendimento médico e odontológico

• centro de cursos para gestantes, mães solteiras

• Centro de aconselhamento espiritual

• Centro de gastronomia vegetariana

• Centro de atendimento para casais

• Uma mini biblioteca pública

• Espaço para alongamento e ginástica

• etc

 

Reimagine a igreja na sua funcionalidade interna

• Assentos adequados a realidade de adoração e liturgia da igreja

• Plataforma acessível e que aproxima as pessoas

• Tanque batismal humanizado –  próximo das pessoas

• Janelas e cortinas que existem para cumprir o propósito básico –  ventilar e cobrir

• Púlpito simples, que não tape a visão e tome todo espaço, de fácil de locomoção

• Telas acessíveis aos olhos

• Iluminação moderna e funcional

• Tanque de Batismo à gás

• etc

 

Há dois extremos e ambos exercem influência negativa sobre o desenvolvimento da igreja:

1. FUNDAMENTALISMO MORFOLÓGICO: lema deles “as estruturas existentes são imutáveis”

2. ESPIRITUALISMO: lema “as estruturas são irrelevantes para os processos espirituais’

No primeiro caso é o termo “funcional” que encontra resistência; no segundo, o conceito “estruturas” é o termo que incomoda.  Nós veremos as vezes muitas igrejas que se apegam algum desses extremos.

PENSE EM ESTRUTURAS FUNCIONAIS não no âmbito do tijolo e banco apenas, mas na

1. TECNOCRACIA

2. ESPIRITUALIDADE FRIA

3. ESPIRITUALIDADE QUENTE

4. AMBAS

 

Normalmente uma igreja com estruturas rígidas, não funcionais a realidade local (Não estamos falando de princípios imutáveis, doutrinas), fica irrelevante, perde membros e amarga crescimento pífio, sem falar que os jovens a abandonam e ela entra em fase de estagnação e declínio. Uma igreja que precisa repensar suas estruturas deve:

Ter bem claro seu propósito

• Identificar as estruturas da igreja que promovem crescimento e as que atrapalham (ex. estrutura de Jovens: Se o JA não funciona mais no sábado a tarde, porque não transferí-lo para outro momento, com outra roupagem; Se não há jovens porque fazer JA?, Faça outra coisa que atenda a necessidade do público alvo.

• Coloque objetivos mensuráveis para reformar as estruturas da igreja

• Avalie todas as suas estruturas em relação ao seu potencial de multiplicação. Ex. todos os projetos da igreja; sistemas de treinamento; estrutura de discipulado; unidades da Escola Sabatina; modelos de evangelismo utilizado.

• Relacione os dons presentes nos membros com aquilo que é mais fraco na igreja e que precisa ser melhorado (não estamos falando de estruturas que as vezes devem ser abandonadas, mas daquelas que são relevantes, mas estão fracas). Observe: não importa quantos dons foram descobertos, você deve procurar enquadrá-los na área da evangelização

• Desenvolva  e divulgue um organograma que mostre claramente a área de atuação de cada pessoa na igreja

• Abandone o maior número de programas e atividades que contribuem pouco para o desenvolvimento da igreja (cuidado aqui, tem coisa que funciona muito bem, o problema é o brilho nos olhos para se executar)

• Avalie a eficácia das medidas

Alex Palmeira

Salvo pela graça, servo de Jesus, em missão como embaixador do reino de Deus - atua como diretor do movimento PN5.
União Sul Brasileira da IASD